segunda-feira, 14 de abril de 2014

O Tempo

O tempo. Esta pequena palavra é importantíssima para nós. Não só falo daquele assunto óptimo e maravilhoso corta-silêncios "como está o tempo hoje", mas do tempo mesmo, daquele constituído pelas horas, minutos e segundos. Diz que é o nosso maior aliado, que cura tudo. É milagroso! E parece mesmo! Quem é que no meio de uma tristeza profunda não ouviu um "vais ver que vai passar, dá-lhe tempo" e não acreditou, tamanha era a dor, e mais tarde, olha para trás e percebe que realmente a dor pode não ter passado de todo, mas, pelo menos, está muito mais atenuada? E quem foi o responsável, quem foi? O Tempo! Sim, esse senhor que faz parte dos nossos dias, ou melhor, que Faz os nossos dias, que É os nossos dias. E se quando queremos muito que um acontecimento surja parece que esse senhor está contra nós e que está a demorar a passar, há outras alturas que ele voa! Mas voa mesmo!
 
O tempo tem voado para mim... Ainda hoje de manhã, em conversa com uma amiga, falavamos disto. Ela está fora há 3 meses e queixava-se que não parecia verdade. E eu compreendo-a: se por um lado sinto falta da presença física dela e percebo estes 3 meses que já lá vão, por outro, realmente, parece que foi há muito menos tempo que a vi. Mas comigo tem sido tudo assim... É um desespero. Ainda semana passada, estava a abrir a agenda e a ver as marcações para o dia e dei por mim a pensar "esta grávida outra vez??? ainda semana passada cá esteve!". Pois, mas não, eu não marco grávidas com espaços inferiores a um mês (salvo excepções). É mesmo o Tempo que corre, corre, corre. E isto sente-se mesmo com as grávidas e as crianças pequeninas que eu sigo. Até me assusto quando percebo que já estão na sala de espera outra vez. É a forma mais objectiva que tenho de perceber o tempo propriamente dito.
 
Em casa nem se fala... A vida é um corre-corre... Se trabalho de manhã, acordo às 6.30, arranjo-me, dou-lhe de mamar, saio para começar as consultas às 8:00. Chego perto das14:00, almoço (geralmente ele já almoçou), ponho-o a dormir e muitas vezes não resisto e caio a dormir com ele também. Mas muitas vezes ganho esta luta e aproveito aquela hora e meia-duas horas para fazer alguma coisa de jeito (porque depois vai ser dificil). Entretanto ele acorda, dou-lhe o lanche, lancho eu, e é quando podemos sair para comprar alguma coisa no supermercado, ir ao jardim apanhar sol com a Gia, brincar, ajudá-lo no seu desenvolvimento que é louco a cada dia que passa. Entretanto já é hora de jantar! Janta ele, deitamo-lo, jantamos nós, sentamo-nos um bocadinho no sofá e lá se foi o dia. Quando trabalho de tarde, durmo um bocadinho de manhã e não há mais tempo livre. E é aqui que vou ter que começar a trabalhar. É aqui que vou ter que me deixar de coisas e começar a fazer alguma coisa por mim (enquanto ele dorme). Começar a correr a sério na minha marginal. Voltar aos meus quase-nove km que eu tanto adorava fazer dia-sim-dia-não antes de engravidar. É que não tenho a desculpa de ter que pegar no carro, é só atravessar a rua. Não tenho desculpa de não ter a quem o deixar, ele fica com a L. Com o tempo bom não tenho desculpa de estar frio e a chover. Só tenho a desculpa de estar muito cansada, mas não se pode ter tudo. E eu sei perfeitamente que depois é um vício e só se quer mais e mais, o difícil é mesmo começar. E é este início que me está a custar. Mas eu preciso. E este vai ser só o início da minha organização do TEMPO. Porque eu estou mesmo a precisar de ter tempo para mim. Para vir aqui escrever. Para ir ao cabeleireiro. Para fazer isto e aquilo. E eu vou conseguir. Dêem-me TEMPO!!! ;)

(faltaram também os utentes das 8:40 e das 9:00... Deram-me tempo :p)

2 comentários:

Ana disse...

tao bom poder manter-te perto, apesar do tempo <3

Liliane Nunes disse...

Ai o tempo... é vê-lo a passar:) Mas sim, é muito importante parar e organizar o tempo de forma a que nós (profissionais + donas de casa + mães) possamos também ter tempo para nós e só nós (mulheres), como correr, ir ao cabeleireiro, pintar as unhas...:) Vais conseguir de certeza! Eu confesso que só agora, passado mais de 2 anos do último bebé, é que estou a começar a conseguir algo do género:) Mas porque as desculpas também eram muitas até há pouco tempo. Beijinho.

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